O Poder Executivo entregou ao Congresso Nacional, na tarde de segunda-feira (31 de agosto de 2026), a proposta de Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2027, formalizada como PLN 24/2026. O envio ocorreu no último dia do prazo constitucional. O documento traça as receitas e despesas previstas para o próximo ano e traz, entre os números que mais afetam a população, a estimativa de salário mínimo de R$ 1.741.
Os números da proposta
O salário mínimo projetado para 2027 é de R$ 1.741, contra R$ 1.621 em vigor em 2026 — aumento nominal de R$ 120, equivalente a cerca de 7,4%. A proposta orçamentária adota como parâmetros macroeconômicos uma inflação de 3,6%, crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,46%, taxa Selic média de 12,53% ao ano e taxa de câmbio média de R$ 5,22 por dólar. A meta de resultado primário é de superávit de R$ 18,6 bilhões, o equivalente a 0,1% do PIB.
Por que o valor ainda pode mudar
O número que consta no Orçamento é uma projeção, não o valor final. O reajuste do salário mínimo segue a regra em vigor desde 2023, que combina a reposição da inflação medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) com um ganho real vinculado ao desempenho do PIB, dentro dos limites do arcabouço fiscal. Como nem a inflação nem o crescimento de 2026 fecharam, o governo precisa estimar esses indicadores para montar o Orçamento. O valor definitivo será fixado por decreto em dezembro, quando o INPC acumulado até novembro estiver disponível — e pode ficar acima ou abaixo dos R$ 1.741, dependendo de como esses índices se comportarem nos próximos meses.
Histórico recente
O salário mínimo passou por reajustes anuais acima da inflação nos últimos anos, com a retomada da política de valorização real após um período de correções apenas pela inflação. Em paralelo, o arcabouço fiscal aprovado em 2023 impôs um teto ao ganho real anual, de forma a conter o efeito do reajuste sobre as despesas obrigatórias — já que uma parcela grande do gasto público é indexada ao mínimo. O debate orçamentário dos últimos anos girou justamente em torno de como conciliar a valorização do piso com as metas fiscais.
Quem é afetado pelo valor do salário mínimo
O impacto do mínimo vai muito além de quem recebe exatamente esse valor no contracheque. O piso baliza:
- o piso dos benefícios do INSS — aposentadorias, pensões e auxílios não podem ser inferiores a um salário mínimo;
- o Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a idosos de baixa renda e pessoas com deficiência;
- o seguro-desemprego e o abono salarial;
- pisos de diversas categorias profissionais e contratos de prestação de serviços.
Por isso, cada real a mais no mínimo se multiplica em despesa pública e em massa de renda circulando na economia.
Efeito para empresas e consumidores
Para as empresas, sobretudo as de uso intensivo de mão de obra — comércio, serviços, construção, limpeza, segurança —, o reajuste do mínimo pressiona a folha de pagamento e os custos de contratos terceirizados. Para os consumidores, o aumento do piso tende a ampliar o poder de compra da base da pirâmide de renda, o que costuma se traduzir em mais consumo de itens essenciais: alimentos, material de construção, vestuário, remédios. É um efeito que aquece o varejo, mas que também entra na conta de preços de serviços no ano seguinte.
Relação com o Brasil
O salário mínimo é um dos instrumentos de política de renda com maior alcance no país: dezenas de milhões de pessoas têm a renda direta ou indiretamente atrelada a ele, entre trabalhadores formais, beneficiários do INSS e do BPC. A definição do valor para 2027, portanto, é acompanhada de perto tanto pela área econômica, preocupada com o efeito fiscal, quanto por centrais sindicais e pelo varejo, atentos ao efeito sobre consumo.
Relação com a Paraíba e Pernambuco
Nos dois estados, o salário mínimo tem peso proporcionalmente maior do que na média nacional. Paraíba e Pernambuco concentram grande número de aposentados e pensionistas do INSS que recebem exatamente um piso, além de beneficiários do BPC. Em muitos municípios do interior — no Sertão, no Cariri, no Agreste pernambucano —, o dinheiro das aposentadorias de um salário mínimo é a principal fonte de renda que movimenta o comércio local todo mês, a ponto de o calendário de pagamento do INSS ditar o movimento das lojas. Como as economias da Paraíba e de Pernambuco são fortemente baseadas em comércio e serviços, um reajuste real do mínimo tende a irrigar diretamente o consumo nas duas regiões; ao mesmo tempo, pesa no custo de pequenas e médias empresas que empregam trabalhadores na faixa do piso. O valor exato desse reajuste, porém, só estará definido em dezembro.
Perspectivas
A proposta orçamentária agora será analisada pela Comissão Mista de Orçamento e votada pelo plenário do Congresso até o fim de 2026. Ao longo da tramitação, os parâmetros macroeconômicos costumam ser atualizados, e o valor projetado do salário mínimo pode ser ajustado. A definição final virá com o decreto de dezembro, já com o INPC do ano praticamente fechado.
Fontes
Agência Senado, “Executivo envia Orçamento de 2027 ao Congresso com mínimo de R$ 1.741” (31/8/2026); Portal da Câmara dos Deputados, “Orçamento de 2027 tem salário mínimo de R$ 1.741 e redução de despesas com pessoal” (2/9/2026); Poder360, “Orçamento: governo estima salário mínimo de R$ 1.741 em 2027” (2/9/2026).

