A Justiça da Paraíba determinou a suspensão e o bloqueio, em todo o território nacional, das plataformas de apostas operadas pela empresa Pixbet Soluções Tecnológicas Ltda. A decisão partiu da Vara da Infância e Juventude de Campina Grande e foi noticiada em 3 de setembro de 2026. A medida atinge as marcas Pixbet, GanheiBet (antiga Flabet) e Bet da Sorte.
Por que o bloqueio foi determinado
Segundo a decisão, a empresa descumpriu uma determinação judicial anterior que estabelecia a suspensão das plataformas até que fossem comprovados mecanismos eficazes para impedir o acesso de crianças e adolescentes às apostas. Como a ordem não teria sido cumprida, o juízo aplicou multa diária de R$ 100 mil. O valor acumulado chegou a R$ 4,7 milhões, referente a 47 dias de descumprimento, entre 18 de julho e 2 de setembro. A empresa terá cinco dias, após ser intimada, para fazer o depósito judicial do montante.
Como o bloqueio deve funcionar
A Justiça determinou o envio de ofícios à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e ao Ministério da Fazenda para viabilizar o bloqueio dos sites e aplicativos pelas operadoras de internet e de telefonia móvel. A decisão também prevê uma perícia técnica nos sistemas da empresa — plataformas, códigos-fonte e bancos de dados — para verificar se existem e se funcionam os mecanismos de controle de idade e de proteção a menores.
O contexto: a regulação das “bets”
O caso se insere no debate nacional sobre as apostas de quota fixa, as chamadas “bets”, que foram regulamentadas no Brasil e passaram a operar sob licença do Ministério da Fazenda, com regras que incluem a proibição de apostas por menores de 18 anos, limites de publicidade e obrigações de identificação do apostador. Estudos do Banco Central e de institutos de pesquisa ao longo de 2024 e 2025 mostraram que uma fatia relevante da renda de famílias de baixa renda — incluindo beneficiários de programas sociais — passou a ser destinada a apostas online, o que transformou o tema em questão de saúde pública, de superendividamento e de proteção à infância. A decisão de Campina Grande é uma das mais duras já tomadas contra uma das maiores casas de apostas do país, e tem alcance nacional justamente por mirar a operação das plataformas, e não apenas usuários específicos.
O que muda para o apostador e para o mercado
Se o bloqueio for efetivado pelas operadoras de telecomunicações, os aplicativos e sites das marcas citadas ficam inacessíveis em todo o Brasil até que a empresa comprove a adequação. Para o setor, é um sinal de que decisões judiciais de primeira instância, em varas especializadas na proteção de crianças e adolescentes, podem paralisar operações inteiras — um risco regulatório que se soma à fiscalização federal. Para o consumidor, vale o alerta de que plataformas sob litígio podem ter saques e depósitos afetados; quem tem saldo em conta nessas casas deve acompanhar as comunicações oficiais.
Relação com Pernambuco e o Nordeste
O bloqueio é nacional, mas o fenômeno das apostas tem peso concreto no Nordeste, região onde a combinação de alta informalidade, renda baixa e forte penetração de smartphones e Pix criou terreno fértil para o crescimento das bets. Cidades como Recife, Caruaru, João Pessoa e Campina Grande registraram, segundo levantamentos de 2025, volumes expressivos de transações via Pix destinadas a casas de apostas. Comerciantes desses centros têm relatado, de forma anedótica, queda no varejo de itens não essenciais atribuída ao dinheiro que migra para apostas — uma percepção do setor que ainda carece de medição rigorosa. Uma decisão que restringe a operação de uma grande plataforma tende a repercutir com mais força justamente onde a base de apostadores é maior.
Perspectivas
A Pixbet pode recorrer da decisão a instâncias superiores, e é provável que o caso chegue ao Tribunal de Justiça da Paraíba e, eventualmente, a tribunais superiores, dada a repercussão nacional. O desfecho vai depender de a empresa conseguir ou não comprovar, na perícia, que tem controles de idade eficazes. Independentemente do resultado, o episódio reforça a tendência de aperto regulatório sobre o setor de apostas no Brasil ao longo de 2026.
Fontes: Vara da Infância e Juventude de Campina Grande (decisão judicial).

