O Polo Turístico Cabo Branco, área planejada de cerca de 500 hectares no litoral sul de João Pessoa, vem se consolidando como o principal projeto de expansão da hotelaria na Paraíba. Segundo o governo do estado e a Companhia de Desenvolvimento da Paraíba (Cinep), que administra a área, o polo deve chegar a 14 mil leitos de hospedagem e reúne investimentos privados projetados em torno de R$ 2,7 bilhões — escala que o governo classifica como o maior complexo turístico planejado do Nordeste.
O que já saiu do papel
O marco mais visível até agora é o Tauá Resort Paraíba, inaugurado em julho de 2026 após adiamento da data inicial, prevista para dezembro de 2025. Com investimento superior a R$ 700 milhões e estimativa de cerca de 1,5 mil empregos diretos, o empreendimento é apresentado pela rede como o maior resort do Brasil em número de apartamentos. É o primeiro grande hotel a entrar em operação dentro do polo.
Na esteira dele, outros projetos avançam. O Ocean Palace Jampa Eco Beach Resort, com investimento total estimado em R$ 264 milhões, prevê 405 apartamentos, centro de convenções e estrutura de lazer, com inauguração projetada para 2026. Já o Complexo Turístico Viva Cor, orçado em cerca de R$ 500 milhões, terá início de obras em 2026 e conclusão estimada só em 2032: o projeto combina hotel de 480 apartamentos, parque temático com roda-gigante, outlet, vila gastronômica e espaço para eventos.
Contratos em série
O governo estadual tem anunciado a assinatura de novos contratos em ritmo próximo ao mensal. Levantamentos da imprensa local dão conta de pelo menos nove a doze empreendimentos com contratos firmados, sendo os primeiros já em obras e os demais em fase de licenciamento ambiental e urbanístico. A área conta com plano urbanístico próprio, infraestrutura de acesso e uma estação de ciência, cultura e artes projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer como âncora simbólica.
Contexto: por que a Paraíba aposta no polo
A hotelaria de João Pessoa historicamente se concentrou em hotéis de médio porte nas orlas de Tambaú, Manaíra e Cabo Branco, com forte dependência do turismo doméstico do próprio Nordeste. O Polo Cabo Branco é a tentativa de mudar de patamar: atrair resorts de grande porte, público de maior poder aquisitivo, turismo de eventos e voos de outras regiões do país. O projeto é antigo — a área foi delimitada ainda nos anos 1990 —, mas só na última década ganhou tração com a chegada de grupos hoteleiros nacionais.
Impacto econômico e os riscos
Para a economia paraibana, a promessa é de geração de empregos na construção civil no curto prazo e no setor de serviços quando os hotéis entrarem em operação, além de aumento na arrecadação e no fluxo de passageiros pelo Aeroporto Castro Pinto. Os efeitos colaterais também estão no radar: pressão sobre a infraestrutura urbana do entorno (mobilidade, saneamento, abastecimento de água), valorização imobiliária que pode encarecer a moradia na região, e o desafio de qualificar mão de obra local para as vagas que serão abertas. A dependência de um calendário longo de obras — alguns projetos só terminam no início da próxima década — também expõe o polo a ciclos econômicos e a mudanças de governo.
Relação com Pernambuco
O Polo Cabo Branco disputa o mesmo turista de destinos consolidados de Pernambuco, como Porto de Galinhas, e da Rota Ecológica no litoral sul paraibano e norte de Alagoas. A leitura predominante no setor, porém, é de complementaridade: quanto mais leitos e atrações o Nordeste oferece, maior a capacidade de a região reter o turista por mais dias e distribuir o fluxo. É uma avaliação de mercado, não um dado fechado. Recife e João Pessoa também competem e cooperam na atração de voos e de eventos corporativos para o polo turístico do Nordeste.
Perspectivas
Os próximos marcos a acompanhar são a entrada em operação do Ocean Palace, o início efetivo das obras do Viva Cor e a taxa de ocupação do Tauá nos primeiros meses — indicador que o mercado vai usar para calibrar o apetite por novos aportes. Se a ocupação se sustentar, a tendência é de aceleração das assinaturas de contrato; se decepcionar, projetos em licenciamento podem ser adiados.
Fontes: Governo da Paraíba.

