O Porto de Cabedelo, principal terminal marítimo da Paraíba, entrou em uma nova fase de operação depois de um ciclo de obras de infraestrutura. Levantamento publicado pelo site Paraíba Business mostra que o porto movimentou 504,4 mil toneladas nos quatro primeiros meses de 2026, um avanço de 31,41% em relação ao mesmo período de 2025.
O que mudou na estrutura
Segundo o terminal, mais de R$ 200 milhões foram investidos em modernização, e outros R$ 105 milhões foram contratados em março de 2026 — sendo R$ 64,5 milhões destinados à dragagem do canal de acesso e R$ 40,5 milhões à ampliação do molhe (a estrutura de pedras que protege a entrada do porto). Com as intervenções, o calado — a profundidade disponível para os navios — chegou a 11 metros, o que permite receber embarcações de até 55 mil toneladas.
Em maio de 2026, o porto operou o maior navio de sua história: o Fermita, de 200 metros de comprimento, que trouxe 47,7 mil toneladas de coque de petróleo (petcoke) — insumo usado principalmente como combustível pela indústria de cimento e por termelétricas. No acumulado do ano, a movimentação de granéis líquidos, categoria que inclui combustíveis, cresceu 22,02% na comparação anual.
A ampliação do calado é o ponto técnico mais relevante da obra. Portos rasos obrigam os navios a operar com menos carga do que comportam, para não encalhar, o que encarece o frete por tonelada. Ao passar de patamares anteriores para 11 metros, Cabedelo consegue receber embarcações maiores e mais cheias, aproximando-se da escala de operação de terminais concorrentes da região.
Contexto: queda em 2025 e retomada
O desempenho de 2026 vem depois de um ano mais fraco. Em 2025, o porto movimentou cerca de 1,25 milhão de toneladas, ante 1,5 milhão em 2024 — recuo puxado principalmente pela redução na carga de granéis sólidos. As operações continuam concentradas na importação, com destaque para combustíveis, grãos, minerais e insumos industriais. A ampliação da atuação em cargas de exportação é apontada pelo terminal como prioridade estratégica.
O governo da Paraíba informou que as obras em andamento no porto somam mais de R$ 173 milhões, com foco em geração de emprego e renda. O terminal também retomou em 2025 a recepção de navios de cruzeiro, após mais de uma década sem esse tipo de escala, e há previsão de chegada de um transatlântico com cerca de 500 passageiros em dezembro de 2026, segundo o Portal Ponto PB.
Por que isso importa para a economia paraibana
Um porto com calado maior e menos filas de espera reduz o custo logístico das empresas que dependem de importação de insumos no estado — de combustíveis a grãos usados na fabricação de ração para a avicultura e a pecuária. Também melhora a competitividade da Paraíba frente a terminais vizinhos como Suape (PE), Pecém (CE) e Natal (RN), que disputam as mesmas cargas do Nordeste.
Para o setor produtivo local, o efeito prático é a possibilidade de trazer volumes maiores por viagem, com navios de maior porte, o que dilui o frete por tonelada. A retomada dos cruzeiros, por sua vez, movimenta a cadeia de turismo receptivo de João Pessoa e do Litoral — transporte, guias, comércio e gastronomia — nos dias de escala.
Os ganhos, porém, dependem da continuidade das obras de dragagem e da capacidade do porto de atrair novas rotas e cargas de exportação, hoje pouco expressivas no terminal. É um processo que se mede em anos, não em meses, e que enfrenta a concorrência direta de Suape, em Pernambuco, estruturado como complexo industrial-portuário e com escala muito maior.
Fontes
- Paraíba Business — “Porto de Cabedelo amplia capacidade logística após ciclo de investimentos” (10/08/2026).

