O Litoral Sul da Paraíba — a chamada Costa das Falésias, formada pelos municípios de Conde, Caaporã e Pitimbu — foi um dos alvos de uma série de workshops sobre o Cadastur promovidos pela Empresa Paraibana de Turismo (PBTur) em parceria com a Secretaria de Estado do Turismo e do Desenvolvimento Econômico (Setde). O objetivo é aumentar o número de pousadas, agências, guias, condutores e bugueiros da região com registro no cadastro federal.
O Cadastur é o Cadastro dos Prestadores de Serviços Turísticos, mantido pelo Ministério do Turismo. Estar registrado é condição para acessar linhas de crédito específicas, participar de campanhas promocionais nacionais e internacionais e integrar roteiros oficiais — além de dar ao turista uma referência de que o serviço é legalizado.
O argumento do estado
“Por meio do Cadastur, os empreendedores ganham mais visibilidade, acesso a programas de incentivo e a segurança de atuar de forma legalizada”, resumiu o presidente da PBTur, Ferdinando Lucena, sobre a iniciativa, que percorreu vários municípios paraibanos.
A aposta na formalização vem depois de um salto expressivo nos registros. Segundo o Governo da Paraíba, o estado saiu de 428 registros ativos no Cadastur em 2018 para 1.199 em 2023, 1.451 em 2024 e mais de 4 mil registros ativos até setembro de 2025 — crescimento que colocou a Paraíba à frente de outros estados do Nordeste em ritmo de formalização no período.
Por que isso importa para o Litoral Sul
A Costa do Conde responde, segundo a prefeitura de Conde, por cerca de 70% do turismo de sol e mar da Paraíba. São aproximadamente 20 quilômetros de praias a cerca de 35 km ao sul de João Pessoa, acessadas principalmente pela rodovia PB-008, com falésias coloridas que chegam a 40 metros de altura em praias como Coqueirinho, Carapibus, Tabatinga e Jacumã. Tambaba é reconhecida como a primeira praia oficial de naturismo do Brasil, regulamentada desde 1989.
Boa parte da operação turística ali é feita por pequenos negócios e trabalhadores autônomos — donos de pousada, barraqueiros, condutores de passeio de buggy e quadriciclo, guias locais. É justamente esse público que tende a ficar de fora de editais, financiamentos e ações de marketing quando não está formalizado. Ampliar o Cadastur na região é, na prática, tentar transformar um fluxo que já existe em receita mais organizada e distribuída.
Tensões de infraestrutura
O esforço de organização convive com atritos. Em maio de 2026, a prefeitura de Conde reuniu-se com representantes dos bugueiros e profissionais do turismo no Centro de Atendimento ao Turista, após uma manifestação na PB-008, para discutir demandas da categoria e alternativas de acesso à faixa de praia. O episódio expôs um ponto sensível: o Litoral Sul cresce em procura, mas ainda precisa resolver questões de mobilidade, ordenamento dos passeios e conservação das falésias, que são áreas de preservação.
Roteiros estruturados
A PBTur tem trabalhado a região dentro de roteiros temáticos. A rota Costa das Falésias reúne a hospedagem de Conde e Pitimbu — a cidade de Conde tem cerca de 12 pousadas associadas e Pitimbu, sete — enquanto a Rota Raízes da Cultura costura Conde, Pitimbu, Alhandra e Caaporã em um percurso que inclui comunidades indígenas e quilombolas e produção artesanal de cachaça e pão. É uma tentativa de vender o Litoral Sul como experiência de imersão, e não apenas como praia de bugue e barraca.
Perspectivas
O teste será manter o ritmo de formalização depois dos workshops e converter os registros em benefício concreto para quem se cadastrou — crédito acessado, reservas via canais oficiais, presença em feiras. Para o Litoral Sul, o desafio paralelo é de gestão do território: ampliar a base de turistas sem sobrecarregar as praias, as falésias e as estradas de acesso.
Fontes
• PBTur / Governo da Paraíba.

