A Universidade Federal da Paraíba (UFPB) aprovou a criação de 15 novos cursos de graduação, com previsão de 760 vagas para estudantes e 72 novos códigos de vaga para docentes (23 em 2026 e 49 em 2027). A ampliação faz parte do programa Universidades Transformadoras, do Ministério da Educação (MEC), voltado à expansão e à modernização da oferta nas instituições federais.
Segundo a universidade, seis desses cursos já entram em funcionamento em 2027, e a implantação será escalonada: nesta primeira etapa, são ofertadas 340 vagas, de um total de 760 previstas para o conjunto das novas graduações.
Onde ficam os cursos
As novas graduações se dividem entre o Campus I, em João Pessoa, e o Campus III, em Bananeiras, na região do Brejo paraibano. As áreas contempladas vão de ciências humanas e agrárias a tecnologia, energias renováveis e biotecnologia.
Entre os cursos previstos para João Pessoa estão Bebidas Fermentadas e Funcionais, Perícia Criminal e Biotecnologia, Gestão da Qualidade, Engenharia de Mobilidade e Combustíveis do Futuro, Engenharia de Automação e Sistemas Inteligentes, Bioindústria, Tecnologia em Gestão de Eventos e uma entrada por Área Básica de Ingresso (ABI) em Física, com ênfases em Física Geral, Física Médica e Física de Tecnologias Quânticas.
Em Bananeiras, a lista inclui Psicologia, Educação Especial Inclusiva, Gastronomia, Nutrição, Tecnologia em Inteligência de Mercado e Análise de Dados, Tecnologia em Gestão e Inovação de Negócios e Gestão de Turismo.
Contexto
A criação de cursos federais novos é rara e depende de dotação orçamentária específica para contratação de professores e técnicos e para infraestrutura. O programa Universidades Transformadoras foi desenhado justamente para viabilizar essa expansão de forma planejada, com foco em formações alinhadas a demandas econômicas e sociais atuais — caso das áreas de dados, automação, combustíveis do futuro e biotecnologia que aparecem no pacote da UFPB.
Para a instituição, o movimento também representa recomposição: a rede federal passou por anos de restrição orçamentária e de perda de vagas docentes, e a chegada de novos códigos de professor é condição para que os cursos saiam do papel e se sustentem.
Impacto para a Paraíba e para o Litoral
O efeito mais direto é sobre o acesso ao ensino superior público no estado: 760 vagas a mais por ano ampliam a concorrência disponível no Sisu e abrem alternativas de formação sem custo de mensalidade. A concentração de parte da oferta no Campus III, em Bananeiras, reforça a interiorização da universidade e leva cursos técnicos e tecnológicos para o Brejo, ajudando a fixar jovens na região.
Há ainda um recorte econômico. Cursos como Gestão de Turismo, Gastronomia e Tecnologia em Inteligência de Mercado dialogam com vocações do estado — incluindo o turismo do Litoral Sul, a hotelaria e a gastronomia de João Pessoa e Conde — e podem, no médio prazo, qualificar mão de obra para um setor que a Paraíba tem tentado profissionalizar. Já as engenharias de automação e de combustíveis do futuro se conectam ao debate sobre energias renováveis e novos investimentos industriais no Nordeste. Esse encadeamento entre formação e mercado local é uma expectativa razoável, mas ainda depende da implantação efetiva dos cursos e da absorção dos formandos pela economia regional.
Perspectivas
A UFPB deve detalhar nos próximos meses o calendário de entrada de cada curso, a forma de ingresso (Sisu, vestibular ou ABI) e a estrutura física destinada a cada campus. O ritmo de contratação de professores — 23 códigos em 2026 e 49 em 2027 — será determinante para que a oferta chegue às 760 vagas totais sem sobrecarregar os departamentos existentes.
Fontes
• UFPB, “UFPB tem 15 novos cursos aprovados pelo programa Universidades Transformadoras”, 7 de agosto de 2026 (atualizado em 12 de agosto): ufpb.br.
• Portal Correio, “UFPB terá 15 novos cursos de graduação, seis deles com início em 2027”: portalcorreio.com.br.
• Andifes, “UFPB terá 15 novos cursos em 2027”, 11 de agosto de 2026: andifes.org.br.

