Em meio ao cenário eleitoral paraibano, uma candidatura se apresenta com um mote pouco comum na política brasileira contemporânea: uma proposta declaradamente fundamentada na Doutrina Social da Igreja Católica. Raoni é candidato a deputado federal pela Paraíba e lançou um extenso manifesto no qual detalha os princípios que devem nortear seu mandato, caso seja eleito.
Quem é Raoni
Natural de João Pessoa, onde nasceu em 8 de março de 1979, Raoni Mendes é casado e pai de dois meninos. Formado com Pós-Graduação em Turismo e Gestão Pública Municipal, construiu trajetória na administração pública paraibana como assessor de Planejamento da Secretaria de Turismo de João Pessoa, Diretor de Eventos do Espaço Cultural e Superintendente Adjunto do IDEME.
Sua trajetória política começou em 2008, quando se candidatou a vereador e conquistou 3.677 votos, ficando na 1ª suplência. Assumiu, em seguida, a Secretaria-Chefe de Gabinete de Luciano Agra, função que exerceu até fevereiro de 2011, quando assumiu em definitivo o mandato de vereador. Em 2012, foi eleito o vereador mais votado de João Pessoa, com 7.832 votos, e em 2014 disputou o cargo de deputado estadual, obtendo mais de 13 mil votos.
Uma candidatura fundamentada na fé
O manifesto que sustenta a atual candidatura, segundo o próprio Raoni, não foi construído isoladamente: o documento é fruto de um processo de colaboração com intelectuais católicos da Paraíba e de escuta junto a fiéis que acreditam na atuação política do segmento católico no estado.
No documento, Raoni afirma que sua candidatura nasce como resposta aos desafios enfrentados por cristãos que buscam viver sua fé no cotidiano em meio a um Estado que, segundo ele, os oprime, e diante da normalização do individualismo como modo de vida. O candidato se propõe a ocupar um espaço político como voz católica, comprometendo-se a agir com moderação e sem extremismos, em apoio à missão evangelizadora da Igreja.
O manifesto recorre a diversas referências do magistério católico para fundamentar essa proposta: de trechos de Pio XII sobre a conexão entre a sociedade e Deus, passando por reflexões do Papa Francisco sobre a política como “arte do encontro”, até citações de João Paulo II sobre a relação entre moral e democracia.
Segundo o texto, o objetivo central é colocar o Bem Comum e a preferência pelos mais necessitados no centro do debate público — princípio que Raoni associa diretamente à Doutrina Social da Igreja.
A crítica à polarização política
Um dos eixos centrais do manifesto é a crítica ao que Raoni descreve como uma crescente polarização ideológica na política brasileira, que, em sua avaliação, tem se sobreposto aos fundamentos de uma política voltada à dignidade humana. O candidato defende que a sociedade brasileira atravessa uma crise moral, e que o resgate de valores como a caridade seria caminho para endereçar problemas ligados à liberdade, à educação e à saúde no país.
O Manifesto também dedica parte do texto a criticar o que chama de instrumentalização religiosa da política, posicionando a candidatura de Raoni como alternativa tanto à polarização ideológica quanto ao que descreve como uma “falsa percepção messiânica” presente em setores do neopentecostalismo político.
Os 15 compromissos parlamentares
O núcleo prático do manifesto é uma lista de 15 compromissos que, segundo o candidato, guiarão seu mandato como deputado federal. Entre os principais pontos:
- Defesa da vida em todas as suas fases, da concepção à morte natural, com apoio a políticas de amparo à gestante e cuidados paliativos;
- Valorização da família, fundada no matrimônio entre homem e mulher, com defesa do papel dos pais na educação moral dos filhos;
- Justiça social, com mecanismos legislativos voltados à redução das desigualdades e priorização de políticas para os mais pobres;
- Liberdade religiosa, com proteção ao culto e às instituições religiosas de caridade e ensino;
- Dignidade do trabalho, com defesa de condições dignas de emprego e salário justo;
- Subsidiariedade, com fortalecimento de associações civis, cooperativas e entidades filantrópicas frente à centralização estatal;
- Destinação de emendas parlamentares a projetos sociais alinhados aos princípios do manifesto;
- Transparência e combate à corrupção, com divulgação das ações do gabinete em site próprio, além dos canais oficiais;
- Educação integral, que contemple a formação técnica e também os valores éticos e espirituais;
- Acesso universal à saúde, com atenção especial à saúde materno-infantil, aos idosos e às pessoas com deficiência;
- Função social da propriedade, com defesa do acesso à moradia digna e à reforma agrária justa;
- Cultura da paz, com rejeição a discursos de ódio e à polarização social;
- Parcerias com o terceiro setor, incluindo instituições religiosas, na execução de serviços sociais e educacionais;
- Desenvolvimento econômico a serviço do homem, com incentivo à economia solidária e ao empreendedorismo responsável;
- Diálogo permanente com a Igreja e a sociedade civil, mantendo canal aberto com a hierarquia eclesiástica e movimentos leigos.
Uma proposta em um estado de forte tradição católica
A candidatura de Raoni chama atenção por explicitar, de forma pouco usual no discurso político tradicional, sua fundamentação religiosa como eixo central da proposta em um estado historicamente marcado pela presença e influência da Igreja Católica na vida social e cultural.
O manifesto completo, com a fundamentação teológica de cada um dos 15 compromissos, está disponível para consulta pelos eleitores que desejam conhecer em detalhes a proposta do candidato. Eis o link: https://raonimendes.com.br/manifesto-catolico/
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