Quem é essa mulher que saiu da militância de bairro para disputar o segundo posto mais importante do Executivo do estado?
Advogada, natural de Campina Grande e hoje residente em João Pessoa, Nayana Pontes foi anunciada por Efraim Filho (PL) como sua candidata a vice-governadora da Paraíba nas eleições de 2026. A escolha não veio do zero: Nayana já era pré-candidata a uma vaga de suplência no Senado, na chapa do ex-ministro Marcelo Queiroga, e migrou para a vice-governadoria depois que o próprio Queiroga abriu espaço para a mudança dentro do arranjo da coligação.
Ela é esposa do deputado federal Cabo Gilberto Silva (PL), ex-policial militar e um dos nomes mais próximos do bolsonarismo na Paraíba, hoje candidato à reeleição na Câmara. O casal construiu trajetória política conjunta em Campina Grande, cidade de origem de Nayana e reduto eleitoral de Gilberto — vínculo que, segundo o próprio Efraim, pesou na escolha: o senador destacou que ter um nome campinense na chapa reforça a presença do grupo governista de oposição fora da capital.
Antes de chegar ao PL, Nayana passou pelo PSL, partido do qual se desfiliou publicamente em 2019, na época já como aliada de Cabo Gilberto (então deputado estadual), criticando o que classificou como uma condução pouco democrática da legenda em Campina Grande. Desde então, consolidou-se como uma das principais vozes femininas do campo conservador paraibano, hoje à frente da presidência do PL Mulher no estado.
Na convenção que oficializou a chapa, Efraim Filho resumiu o simbolismo da escolha: “teremos a força da mulher paraibana representada na nossa chapa”. Em seu discurso, Nayana agradeceu a confiança do grupo político e a Marcelo Queiroga, e destacou o protagonismo feminino na construção da aliança de oposição, discurso que dialoga com um movimento mais amplo nesta pré-campanha, que conta com mulheres em posições de destaque.
Sem mandato eletivo prévio, Nayana chega à disputa muito mais pela militância política e jurídica do que pela experiência de gestão pública — uma característica que a aproxima, guardadas as proporções, do próprio histórico de outsiders que a direita paraibana já tentou lançar em pleitos anteriores. Resta saber se sua indicação vai ajudar a chapa de Efraim a ampliar a presença feminina e territorial que o grupo de oposição busca consolidar rumo a outubro.

