Há quatro anos, quem carregou a bandeira bolsonarista na disputa pelo governo da Paraíba foi Nilvan Ferreira…
Quando o senador Efraim Filho (PL) oficializou sua migração do Senado para a disputa do governo do estado, reacendeu uma pergunta que a direita paraibana vem tentando responder desde 2022: existe, na Paraíba, um teto de votos que nenhum nome consegue ultrapassar, e Efraim é o primeiro capaz de furá-lo?
O ponto de partida: Nilvan Ferreira em 2022
Há quatro anos, quem carregou a bandeira bolsonarista na disputa pelo governo da Paraíba foi Nilvan Ferreira, então comunicador de rádio e televisão, sem mandato eletivo anterior, mas com capilaridade na imprensa. Nilvan chegou a subir nas pesquisas ao longo da campanha, passou de 12% a 15% das intenções de voto entre agosto e setembro, mas terminou o primeiro turno em terceiro lugar, atrás de João Azevêdo (com 863.174 votos) e Pedro Cunha Lima. O candidato recebeu cerca de 406 mil votos, tendo vencido apenas em municípios da Grande João Pessoa.
Nilvan carregava, além da falta de experiência prévia em cargos eletivos, o ônus de ser o candidato mais rejeitado do pleito: pesquisa Ipec divulgada em setembro daquele ano mostrou sua rejeição subindo de 19% para 23%, a mais alta entre os postulantes ao governo. Depois de 2022, tentou ainda as prefeituras de João Pessoa e de Santa Rita, sem sucesso em nenhuma das duas, mas afirmando que as derrotas lhe deram “combustível” para seguir na política.
A outra ponta: Efraim Filho no mesmo ano
Enquanto Nilvan disputava o governo, Efraim Filho, então deputado federal havia dezesseis anos, com quatro mandatos consecutivos e passagens como líder de bancada na Câmara, concorria ao Senado. O resultado: 617.517 votos, o mais votado entre os candidatos ao cargo naquele ano, superando inclusive a votação de Nilvan para o governo em mais de 200 mil votos, no mesmo pleito e no mesmo eleitorado.
A diferença não é só de números, é de trajetória. Filho do ex-senador Efraim Morais, Efraim Filho ingressou na política em 2006, aos 26 anos, e desde então acumulou funções de liderança partidária tanto na Câmara quanto, mais recentemente, no Senado, onde comandou a bancada do União Brasil desde 2023. Soma-se a isso uma exposição nacional discreta, mas constante: presidência da Frente Parlamentar de Comércio, Serviços e Empreendedorismo, atuação recorrente em pautas de segurança pública, e o que o próprio senador classificou como primeiro lugar em ranking nacional de desempenho parlamentar.
Capilaridade real em 2026
O discurso da pré-campanha de Efraim aposta na ideia de capilaridade: prefeitos, vereadores, presença em todas as regiões do estado. Levantamentos recentes mostram, de fato, algo em torno de duas dezenas de prefeitos declaradamente alinhados a ele: número relevante, ainda que distante da base governista, hoje majoritária no funcionalismo municipal paraibano. Porém bem maior do que a base municipalista de Nilvan em 2022.
Mas há um ponto que merece ser citado sem meias palavras: na Assembleia Legislativa da Paraíba, Efraim afirma ter apenas três deputados de sua base, contra 33 alinhados ao governador Lucas Ribeiro (PP) e Cícero Lucena, do MDB, principais adversários do senador. Ao justificar por que decidiu disputar o governo: “Na Assembleia Estadual tenho três deputados. Os outros têm 33. Mas eu tenho o povo ao meu lado.” É uma confissão de fraqueza institucional dentro da Casa, compensada (na narrativa do próprio candidato) por um capital de voto direto que a política de gabinete não conseguiria capturar.
Apoiam Efraim Filho explicitamente George Morais: Líder da oposição na ALPB; Wallber Virgolino: Parlamentar com forte atuação na direita paraibana; Sargento Neto: Deputado estadual que também preside o diretório do PL em Campina Grande.
O que os números sugerem, e o que ainda não respondem
A comparação entre 2022 e a pré-campanha de 2026 sugere algo consistente: o teto da direita na Paraíba parece menos ligado à ideologia em si, e mais à qualidade do mensageiro. Nilvan, sem trajetória política prévia e com a maior rejeição do pleito, testou o piso desse campo. Efraim, com dezesseis anos de Câmara, quatro mandatos, liderança de bancada e um mandato de senador mais votado do estado, testa agora o teto.
Ainda assim, a pergunta segue em aberto: será que o desempenho de Efraim como senador – cargo proporcional, decidido no mesmo turno e no mesmo palanque de outras disputas – se traduz automaticamente em força para o cargo majoritário de governador, que exige o nome de uma pessoa só, sem a diluição de uma chapa proporcional? E, mais especificamente: a rejeição que historicamente acompanha candidaturas de direita no estado, evidenciada pelos 23% de Nilvan em 2022, já foi superada por Efraim, ou apenas adiada, aguardando pesquisas mais recentes para ser medida com precisão?
Nem os números de 2022, nem os apoios de prefeitos reunidos até aqui, respondem sozinhos a essa pergunta. Respondem, isso sim, que Efraim Filho chega à disputa de 2026 como o nome mais competitivo que a direita paraibana já apresentou desde o advento do bolsonarismo recente do campo, o que não é pequeno, mas também não é, por si só, garantia de que o teto de rejeição que travou seus antecessores não continue lá, esperando para ser testado nas urnas.

