Cena gravada no dia da votação mostra filho tentando acomodar a cadeira de rodas da mãe idosa no carro para levá-la à seção eleitoral, reforçando o respeito à democracia acima das divergências políticas familiares.
Em tempos de acirrada polarização política no país, um gesto de respeito e afeto familiar chamou a atenção nas redes sociais. A advogada Rafaela Guimarães (@rafaelaguimaraesadv) compartilhou nos stories do seu Instagram um momento marcante protagonizado por seu marido, Roger, e sua sogra, Dona Rejane, de 70 anos.
Roger, que é eleitor de direita e apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro, não mediu esforços para ajudar a mãe a exercer o seu direito de voto. Dona Rejane, que possui deficiência física e limitações de locomoção, desejava ir às urnas para manifestar o seu apoio ao candidato Luiz Inácio Lula da Silva.
No vídeo gravado por Rafaela, Roger aparece tentando dobrar e fechar a cadeira de rodas no porta-malas do veículo para poder transportar a mãe até o local de votação. Apesar das tentativas intensas e de ter passado cerca de dez minutos tentando guardar o equipamento, a cadeira emperrou e não coube no porta-malas.
Diante das limitações físicas e da dificuldade prévia para acomodar Dona Rejane no carro — além da perspectiva de ter de repetir todo o esforço ao chegar ao local de votação —, a própria idosa decidiu não prosseguir com o trajeto e preferiu retornar para casa para acompanhar a apuração.
A atitude do filho em tentar viabilizar a ida da mãe, mesmo discordando radicalmente de sua escolha partidária, foi destacada por Rafaela como uma lição sobre maturidade democrática e amor familiar. A publicação gerou forte repercussão ao lembrar que laços de afeto e cidadania devem prevalecer sobre disputas ideológicas.
O fato aconteceu neste domingo de eleições do 2º turno, em Itambé (PE), divisa com Pedras de Fogo, Litoral Sul da Paraíba.
📝 Transcrição Literal do Relato (Publicado nos Stories por @rafaelaguimaraesadv)
Texto 1: “Achei interessante o contexto desse vídeo e resolvi compartilhar com vocês.”
“Esse é meu marido. No vídeo, ele está tentando ajeitar a cadeira de rodas da mãe, de 70 anos, que é deficiente física, para levá-la votar. Ela queria dar seu último voto em Lula.”
“Meu marido, por ser de direita, poderia simplesmente se recusar a levá-la. Afinal, vivemos tempos de tanta polarização política que até as relações familiares têm sido afetadas pelas divergências ideológicas. Mas ele fez o que considera correto: tentou ajudá-la a exercer seu direito de cidadã, respeitando sua escolha, mesmo não sendo a candidata que ele apoia. E isso deveria ser algo normal, mas, nos tempos de hoje, diante da polarização política em que vivemos, atitudes como essa parecem ter se tornado motivo de surpresa.”
Texto 2: “No vídeo, ela já estava dentro do carro, mas havia conseguido entrar com bastante dificuldade, por ser pesada e ter limitações de locomoção. Meu marido passou cerca de dez minutos tentando fechar a cadeira de rodas para colocá-la no porta-malas, mas, infelizmente, ela emperrou e não foi possível acomodá-la no carro.”
“Diante da dificuldade que já havia enfrentado para entrar no veículo, ela também teria que enfrentar a descida do carro para votar, a subida novamente e, ao chegar em casa, outra descida. Considerando todas essas dificuldades, ela se sentiu impossibilitada de ir. Ou seja, ela tentou até onde suas condições físicas permitiram.”
“No fim, decidiu ficar em casa, aguardando o resultado e orando para que seu candidato vencesse.”
Texto 3: “E sabe o que eu tiro dessa situação? Não precisamos transformar em inimigos aqueles que amamos por causa de divergências políticas. A política passa. Os mandatos terminam. Mas nossos familiares, amigos e irmãos em Cristo continuam fazendo parte da nossa vida.”
“Que possamos aprender a respeitar as escolhas uns dos outros, mesmo quando pensamos diferente. Que a polarização não nos roube a capacidade de amar, respeitar e conviver.”
“No fim das contas, somos todos brasileiros, e a democracia também significa respeitar o direito de o outro escolher. 🇧🇷🤝”
