A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que liberar a internet móvel sem limite de franquia durante as eleições pode derrubar as redes de celular do país. A manifestação foi enviada ao ministro Cristiano Zanin, relator de uma ação que pede a medida, segundo reportagem da Agência Brasil publicada neste sábado (26).
O que está em jogo
A ação foi apresentada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e pelo Partido Verde (PV). Eles pedem a liberação irrestrita da internet móvel no período de 72 horas antes a 24 horas depois de cada turno de votação. O argumento é que as franquias limitadas dos planos pré-pagos criam desigualdade de acesso à informação: quando o pacote acaba, o usuário fica restrito a aplicativos patrocinados, o que dificulta checar notícias falsas em fontes confiáveis.
A resposta da Anatel
Zanin deu 48 horas para a agência se manifestar. No parecer, a Anatel cita pesquisa própria de 2025 segundo a qual 70% dos usuários de franquias pré-pagas acessam a internet também por Wi-Fi fixo, em casa ou na rua. A principal preocupação, porém, é técnica: a liberação irrestrita provocaria o “colapso das redes de telecomunicações, dificultando ou impedindo que grande parte da população possa se comunicar adequadamente em período tão relevante”, segundo a agência.
O Brasil tem mais de 270 milhões de acessos de telefonia móvel ativos, e o pré-pago responde por cerca de 35% deles, de acordo com os dados citados na reportagem.
Próximos passos
Antes de decidir sobre o pedido de liminar, o ministro Zanin aguarda parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR). O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro, e o eventual segundo turno, para 25 de outubro.
Fontes
Agência Brasil (Felipe Pontes), 26 de setembro de 2026 — Internet grátis pode derrubar rede móvel na eleição, diz Anatel ao STF.

