A Paraíba chegou a 461 denúncias de possíveis irregularidades na propaganda eleitoral a duas semanas do primeiro turno das eleições de 2026, marcado para 4 de outubro. O levantamento, que reúne registros feitos junto à Justiça Eleitoral, mostra concentração expressiva das ocorrências em dois municípios do Estado.
Onde estão as denúncias
João Pessoa lidera o levantamento com 123 denúncias, o equivalente a 26,7% do total estadual. Campina Grande aparece em segundo lugar, com 106 registros (23%). Na sequência vêm Bayeux (29 denúncias), Patos (23), Santa Rita (22) e Catolé do Rocha (20) — ou seja, seis municípios concentram a maior parte das quase 500 ocorrências registradas no Estado.
Quem é alvo das denúncias
Candidaturas a deputado estadual são as mais citadas nas denúncias, com 165 registros, seguidas por deputado federal (84), governador (83) e partido/coligação/federação (83). Candidaturas ao Senado somam 36 denúncias, e à Presidência da República, 10 — proporção que reflete o volume natural de candidaturas em disputa nas eleições proporcionais estaduais frente aos cargos majoritários.
Os tipos de irregularidade mais comuns
Entre os tipos de propaganda irregular mais denunciados estão o uso indevido de vias públicas (113 ocorrências), carros de som e trios elétricos fora das regras (73), uso de bens particulares para propaganda sem autorização (46), comícios e showmícios em desacordo com a legislação (41), e propaganda irregular na internet (32). O predomínio de denúncias ligadas a vias públicas e carros de som indica que a maior parte dos questionamentos envolve a propaganda física de rua, tradicionalmente mais fiscalizada e mais fácil de registrar por eleitores e fiscais de campanha do que a propaganda digital.
O que muda a partir deste sábado
A partir deste sábado (19), passou a vigorar a regra eleitoral que proíbe a prisão de candidatos, salvo em casos de flagrante delito — uma salvaguarda prevista na legislação eleitoral brasileira para o período final de campanha, que reduz o risco de detenções com motivação política às vésperas da votação.
A ressalva da Justiça Eleitoral
Um ponto importante do levantamento é a ressalva de que o registro de uma denúncia não comprova, por si só, a existência de irregularidade — cada caso segue um rito de apuração próprio, que pode resultar em arquivamento, advertência ou aplicação de multa, dependendo da gravidade e da comprovação dos fatos.
Consequências para o processo eleitoral
O volume de denúncias a duas semanas do primeiro turno é um termômetro do nível de disputa e de fiscalização mútua entre candidatos e partidos no Estado. Para comerciantes e prestadores de serviço que cedem espaços — muros, veículos, imóveis — a candidatos, o número reforça a necessidade de atenção às regras de autorização formal para uso de bens particulares em propaganda, um dos itens mais denunciados no levantamento.
Relação com o Brasil
O cenário paraibano acompanha uma tendência observada em outros estados às vésperas do primeiro turno de outubro, com aumento natural de denúncias eleitorais à medida que a fiscalização se intensifica na reta final de campanha — embora os números absolutos e a distribuição por tipo de irregularidade sejam específicos da dinâmica política de cada estado.
Relação com Pernambuco
Os levantamentos consultados não trazem número equivalente de denúncias eleitorais para Pernambuco nesta mesma data, o que impede uma comparação direta entre os dois estados; é uma lacuna da pesquisa disponível, não uma constatação de que o cenário pernambucano seja diferente.
Perspectivas
Com a votação marcada para 4 de outubro, a tendência é que o número de denúncias continue subindo até a véspera do pleito, especialmente as ligadas a propaganda de rua e carros de som, historicamente as mais numerosas nesta fase da campanha. A Justiça Eleitoral segue analisando os casos registrados, que podem resultar em sanções aos candidatos e partidos envolvidos após o período eleitoral.
Fontes: Blog do Bruno Lira (19/09/2026), com dados da Justiça Eleitoral da Paraíba; BigPB.

