O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu, neste sábado (19), dois alertas simultâneos de baixa umidade relativa do ar para municípios do interior da Paraíba, um sinal de que o período de estiagem característico do segundo semestre no Sertão e no Agreste paraibano voltou a atingir níveis considerados críticos para a saúde da população.
Dois níveis de alerta, duas áreas diferentes
O alerta mais severo, classificado como “perigo” (cor laranja), abrange 81 municípios localizados nas regiões do Sertão e do Alto Sertão paraibano, entre eles Patos, Sousa, Cajazeiras, Uiraúna, Pombal e Princesa Isabel. Esse alerta é válido até as 19h deste sábado.
Já o alerta de “perigo potencial” (cor amarela) tem abrangência maior, chegando a 140 municípios — soma que inclui os 81 do alerta laranja mais cidades das regiões do Cariri e do Seridó paraibano, como Campina Grande, Monteiro, Juazeirinho e Picuí. Esse segundo alerta tem validade mais longa, seguindo até as 22h da próxima terça-feira, dia 22 de setembro.
Os números da umidade
Segundo o Inmet, durante o período de validade dos alertas a umidade relativa do ar deve registrar índices críticos, variando entre 20% e 30% nas regiões afetadas — patamar bem abaixo dos níveis considerados ideais para a saúde humana, que a Organização Mundial da Saúde recomenda manter acima de 40% a 60% em ambientes internos e externos.
Recomendações de saúde e segurança
Diante dos níveis críticos de umidade, as autoridades recomendam à população das áreas afetadas: consumir água em quantidade adequada ao longo do dia, umidificar ambientes fechados (com bacias de água ou umidificadores), usar hidratantes corporais para evitar o ressecamento da pele e evitar atividades físicas ao ar livre e exposição ao sol nos horários de maior calor, geralmente entre 10h e 16h.
Em situações de emergência relacionadas ao clima seco, a população pode acionar a Defesa Civil pelo telefone 199 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193. Apesar dos índices críticos de umidade, a classificação de risco para incêndios florestais e para ocorrências graves de saúde é considerada, por ora, baixa nas áreas monitoradas — o que não elimina a necessidade dos cuidados recomendados, especialmente para crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios.
Um padrão recorrente no interior paraibano
Alertas de baixa umidade não são incomuns no Sertão e no Alto Sertão da Paraíba nesta época do ano, período que antecede as primeiras chuvas mais regulares da estação chuvosa regional. Registros de alertas semelhantes, com abrangência parecida — em torno de 110 a 140 municípios —, já haviam sido emitidos pelo Inmet em datas anteriores do próprio mês de setembro, indicando um quadro de estiagem prolongada nas últimas semanas na região.
O que isso significa para o comércio e os negócios do interior
Embora se trate primariamente de um alerta de saúde pública, a baixa umidade prolongada também tem efeitos econômicos indiretos sobre municípios do Sertão, do Cariri e do Seridó paraibano — regiões marcadas por atividade agropecuária relevante e por comércio de rua e feiras livres, mais expostos ao clima do que atividades em ambientes fechados. Períodos de estiagem severa tendem a reduzir a produtividade de lavouras não irrigadas e podem também desestimular a circulação de consumidores em horários de pico de calor, afetando o movimento de comércios que dependem de fluxo de pedestres nesses municípios — um efeito que é uma inferência baseada no padrão histórico da região, e não um dado já confirmado para este episódio específico.
Setores ligados a irrigação, armazenamento de água e produtos de hidratação e cuidados com a pele, por outro lado, tendem a registrar maior procura durante esse tipo de alerta, um padrão sazonal já conhecido do comércio local em cidades como Patos e Campina Grande.
Relação com o restante do estado
O alerta não abrange a faixa litorânea da Paraíba, incluindo João Pessoa e o Litoral Sul, onde a umidade tende a ser naturalmente mais alta por conta da proximidade com o mar. O contraste climático entre litoral e interior nesta época do ano é uma característica recorrente do estado, e reforça a importância de alertas regionalizados como os emitidos pelo Inmet, que evitam generalizar uma condição climática que, na prática, afeta de forma bastante desigual as diferentes regiões da Paraíba.
Fontes
Repórter PB — “Inmet emite alertas de baixa umidade para até 140 municípios da Paraíba” (19 de setembro de 2026); Blog do BG PB — “Tempo seco: Inmet emite alertas de baixa umidade para 140 cidades da Paraíba” (19 de setembro de 2026).

