Uma nova pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta segunda-feira, 14 de setembro de 2026, mostra uma melhora significativa nas expectativas dos brasileiros em relação aos rumos da economia nacional. Segundo o levantamento, a parcela da população que espera uma melhora da economia do país nos próximos seis meses subiu de 36% para 41% em relação à rodada anterior. No sentido oposto, o percentual dos que projetam uma piora caiu de 29% para 22% — uma inversão de expectativas que os institutos de pesquisa costumam associar a mudanças no humor do consumidor e, por consequência, no comportamento de consumo e investimento das famílias.
Percepção do presente segue negativa
Apesar da melhora nas expectativas para o futuro, a fotografia do presente continua predominantemente negativa: 53% dos entrevistados avaliam a situação atual da economia brasileira como ruim ou péssima. Esse descompasso entre a avaliação do momento atual e a expectativa para os próximos meses é um padrão comum em pesquisas de sentimento econômico em períodos de transição — quando a percepção sobre o futuro já reage a sinais concretos (como cortes de juros ou dados de atividade), mas a experiência cotidiana das famílias, pressionada por preços e crédito caro, ainda não mudou na mesma velocidade.
Finanças pessoais também melhoram
O otimismo não se restringe à economia como um todo: a parcela dos entrevistados que acredita que a própria situação financeira vai melhorar nos próximos seis meses passou de 43% para 47%. Esse dado é relevante porque a percepção sobre as finanças pessoais tende a ser um preditor mais direto de comportamento de consumo do que a percepção sobre a economia em geral — quando as famílias acreditam que vão ganhar ou gastar mais, historicamente isso se reflete com alguma defasagem em vendas do varejo e em decisões de crédito.
O que preocupa os brasileiros agora
Entre os problemas mais citados pelos entrevistados, a preocupação com a classe política subiu de 9% para 16%, alçando o tema à quinta posição entre os principais problemas apontados. Baixo crescimento econômico foi citado por 10% dos entrevistados, desemprego por 9%, e inflação, custo de vida ou preços altos por 8%. A composição desses números sugere que, mesmo com a melhora nas expectativas econômicas, a confiança nas instituições e na condução política do país segue como um fator de ruído relevante na avaliação geral que a população faz do momento do país.
Metodologia do levantamento
A pesquisa foi conduzida pela Nexus a pedido do BTG Pactual, com 2.003 eleitores de 16 anos ou mais entrevistados por telefone entre os dias 11 e 13 de setembro de 2026. A margem de erro estimada é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro do intervalo de confiança usual desse tipo de pesquisa amostral.
O pano de fundo econômico da melhora nas expectativas
A melhora no sentimento dos brasileiros ocorre num momento em que o Banco Central sinaliza a continuidade do ciclo de cortes na taxa Selic — hoje em 14% ao ano, com expectativa de novo corte na reunião do Copom marcada para os dias 15 e 16 de setembro — e em que o Boletim Focus, divulgado no mesmo dia da pesquisa, reduziu a projeção de inflação para 2026 para 4,90%, a primeira leitura abaixo de 5% desde maio. A combinação de juros em trajetória de queda com uma inflação que dá sinais de arrefecimento ajuda a explicar por que a percepção sobre o futuro da economia melhorou, mesmo com a fotografia do presente ainda sendo majoritariamente negativa.
Contexto eleitoral
A pesquisa chega a três semanas do primeiro turno das eleições gerais, marcado para 4 de outubro de 2026, um período em que o desempenho econômico percebido pela população costuma ganhar peso redobrado no debate público e na cobertura política. Institutos de pesquisa e analistas de mercado tendem a monitorar de perto esse tipo de levantamento nas semanas que antecedem a votação, já que a percepção econômica é historicamente um dos fatores que mais pesam na avaliação do governo e, por extensão, no comportamento do eleitorado.
Consequências para empresas e consumidores
Para empresas, sobretudo do varejo e de serviços, uma melhora sustentada nas expectativas de consumo das famílias tende a ser um sinal positivo para o planejamento de estoques, contratações sazonais e estratégias de precificação para o último trimestre do ano — período tradicionalmente mais forte para vendas no Brasil. Para o consumidor, a melhora na expectativa financeira pessoal pode se traduzir, nos próximos meses, em maior disposição para assumir compromissos de crédito de médio prazo, como financiamento de bens duráveis, desde que o cenário de juros realmente continue em trajetória de queda.
Relação com Pernambuco e Paraíba
A pesquisa não traz recorte específico por estado, mas o padrão nacional de melhora nas expectativas tende a se refletir também em Pernambuco e na Paraíba, estados cujo varejo, serviços e pequenas empresas são particularmente sensíveis ao humor do consumidor e ao custo do crédito. Setores como o comércio de João Pessoa e Recife, que dependem diretamente da confiança das famílias para o planejamento de vendas de fim de ano, tendem a acompanhar de perto se essa melhora nas expectativas nacionais se sustenta nas próximas rodadas de pesquisa — trata-se, porém, de uma inferência a partir do padrão nacional, não de um dado regional confirmado.
O que vem a seguir
O próximo marco relevante para testar se essa melhora nas expectativas se sustenta é a decisão do Copom sobre a Selic, na noite de 16 de setembro, e a divulgação de novos boletins Focus e pesquisas de sentimento do consumidor nas semanas seguintes, já em pleno período de campanha eleitoral.
Fontes: Diário do Grande ABC, “Para 41%, economia do País vai melhorar nos próximos 6 meses, aponta pesquisa BTG/Nexus” (14 de setembro de 2026); Jornal de Brasília; Jornal do Comércio.

