Os Correios na Paraíba amanheceram parados nesta sexta-feira, 11 de setembro de 2026. Cerca de 1.080 servidores da estatal no estado aderiram à greve nacional da categoria, decidida em assembleias realizadas na noite de 10 de setembro em João Pessoa e Campina Grande, conduzidas pelo Sindicato dos Trabalhadores dos Correios na Paraíba (Sintect-PB).
A paralisação é por tempo indeterminado e ocorre no contexto da negociação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026/2027 entre o sindicato nacional da categoria e a direção da empresa. Entre as principais reivindicações dos trabalhadores estão a recomposição salarial para compensar perdas inflacionárias acumuladas, a manutenção de benefícios já conquistados e melhorias na assistência à saúde oferecida pela estatal.
Como a greve foi organizada
Segundo o presidente do Sintect-PB, Tony Sérgio, a orientação para os atendentes comerciais das agências foi direta: “Você que é atendente comercial não abra a agência. Entregue a chave para seu gerente.” A fala resume a estratégia da categoria de concentrar o impacto da greve justamente no ponto de contato mais visível com o público — o balcão das agências — em vez de apenas reduzir o ritmo de entregas.
Impacto esperado no atendimento
Com a adesão de cerca de 1.080 trabalhadores no estado, a expectativa é de impacto direto tanto nas atividades operacionais quanto na distribuição de correspondências e encomendas dos Correios na Paraíba. Agências podem funcionar com quadro reduzido ou fechadas, dependendo do nível de adesão em cada unidade, e prazos de entrega tendem a ser afetados enquanto durar a paralisação — o que preocupa especialmente pequenos comerciantes e empreendedores de e-commerce que dependem dos Correios como transportadora, sobretudo em um estado com forte presença do serviço em municípios do interior, onde transportadoras privadas têm menos capilaridade.
Um movimento nacional com capítulo paraibano
A greve na Paraíba não é um movimento isolado: trata-se da adesão do estado a uma mobilização de caráter nacional da categoria dos Correios, motivada pela mesma pauta de negociação do ACT 2026/2027 que está em discussão em todo o país. A decisão de aderir foi tomada em assembleias presenciais nas duas maiores cidades do estado — capital e interior —, o que sugere adesão significativa tanto na Região Metropolitana de João Pessoa quanto no eixo de Campina Grande, historicamente uma das bases mais mobilizadas do sindicalismo paraibano.
O que está em jogo na negociação nacional
Além da recomposição salarial, a categoria também menciona resistência a um processo de reestruturação da estatal, tema recorrente nas negociações dos Correios nos últimos ciclos de ACT em todo o Brasil. Mudanças na estrutura da empresa — que vão desde revisão de rotas até formas de terceirização de parte da operação — costumam ser um dos pontos mais sensíveis nessas negociações, junto com a questão salarial.
Consequências para empresas e consumidores na Paraíba
Para o comércio local, especialmente pequenos negócios que vendem online e dependem do PAC ou do Sedex para despachar produtos, a greve por tempo indeterminado é motivo de atenção imediata: atrasos podem se acumular rapidamente, e a ausência de uma data de encerramento definida torna difícil planejar alternativas logísticas no curto prazo. Consumidores que aguardam encomendas também devem sentir o efeito nos próximos dias, caso a paralisação se estenda.
O que ainda não se sabe
Até o fechamento desta matéria, não havia sido divulgada uma previsão de retomada das negociações entre o sindicato nacional e a direção dos Correios, nem um posicionamento oficial da empresa sobre o impacto operacional específico na Paraíba. A duração da greve depende diretamente da evolução dessas conversas em nível nacional.
Fontes: Sintect-PB, via Blog do BG (Paraíba), com informações de assembleias realizadas em João Pessoa e Campina Grande em 10 de setembro de 2026.

