A guerra entre Estados Unidos e Irã, que começou no fim de fevereiro de 2026 e vivia uma pausa desde o fim de julho, voltou a se intensificar nos últimos dias, com reflexo imediato no preço internacional do petróleo. No domingo (30/08), forças norte-americanas atacaram a ilha de Larak, no sul do Irã, dentro do Estreito de Ormuz. O Comando Central dos EUA (Centcom) classificou a operação como uma “ação limitada e precisa” para impedir que o Irã instalasse minas na passagem.
No mesmo dia, a Guarda Revolucionária iraniana (IRGC) respondeu com uma ofensiva combinada de mísseis e drones — batizada de “Punição do Agressor” — contra as bases de King Hussein e Al Azraq, na Jordânia. Na madrugada de segunda-feira (31/08), a Jordânia informou ter interceptado oito mísseis que violaram seu espaço aéreo; não houve feridos nas bases. Ainda na segunda, a IRGC afirmou ter abatido um drone americano MQ-9 Reaper sobre o Estreito de Ormuz.
O presidente dos EUA, Donald Trump, publicou na rede Truth Social um vídeo gerado por inteligência artificial que simulava a ilha de Kharg — principal terminal de exportação de petróleo do Irã — “sendo explodida”. Não há evidência de que Kharg tenha sido de fato atacada. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou que o país “não busca guerra”, mas “nunca ficará parado diante de qualquer agressão”. O chanceler Abbas Araghchi acusou os EUA de fazerem “grandes esforços para manipular os mercados de energia”.
Estreito de Ormuz sob tensão
O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo e gás. Segundo a agência Al Jazeera, ataques a navios na região passaram a ser quase diários; o Irã afirma que a via está fechada, enquanto os EUA dizem controlá-la. A mídia estatal iraniana informou que um superpetroleiro pegou fogo após atingir duas minas navais no sul do estreito. Importadores asiáticos, como China, Japão e Coreia do Sul, teriam passado a buscar fornecedores tão distantes quanto a Argentina para compensar a perda de oferta do Oriente Médio.
O que aconteceu com o preço do petróleo
Diante da escalada, o barril do Brent era negociado a cerca de US$ 94 nesta terça-feira (1º), alta em torno de 3,8% no dia, de aproximadamente 12% no mês e de mais de 35% em 12 meses, de acordo com dados de mercado compilados pela Trading Economics. O patamar ainda está longe do recorde histórico de US$ 147,50, registrado em julho de 2008, mas é o mais alto do ano. A Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA) não espera que a produção do Oriente Médio volte aos níveis anteriores ao conflito antes do início de 2027 e projeta um preço médio do Brent de US$ 87 o barril em 2026.
Impacto no Brasil
O canal mais direto de transmissão para a economia brasileira é o preço dos combustíveis. Nesta terça-feira (1º), a Petrobras anunciou reajuste de 13,9% no preço médio de venda do querosene de aviação (QAV) às distribuidoras, o equivalente a R$ 0,68 por litro. Com isso, o QAV acumula alta de 53,3% em 2026 — cerca de R$ 1,94 por litro acima do preço de dezembro de 2025. A estatal reabriu um programa que permite às distribuidoras parcelar o reajuste em três vezes, para diluir o impacto da volatilidade internacional.
Petróleo mais caro também pressiona diesel e gasolina, que pesam na inflação e nos custos de transporte, e tende a influenciar o câmbio e as decisões do Banco Central sobre a taxa Selic, hoje em 13,75% ao ano. O momento é delicado: enquanto a atividade brasileira desacelera e abre espaço para discutir corte de juros, o choque de energia empurra a inflação e os juros globais na direção oposta.
Relação com a Paraíba e Pernambuco
Para a Paraíba e Pernambuco, os efeitos aparecem em algumas frentes — e aqui vale registrar que parte disso é inferência econômica, não dado local medido. A economia do Nordeste depende fortemente do transporte rodoviário: diesel mais caro encarece o frete de alimentos, insumos agrícolas e mercadorias, com repasse ao consumidor. O reajuste do querosene de aviação incide justamente sobre o ciclo de expansão de voos que Recife e João Pessoa vêm vivendo, elevando o custo das companhias e podendo se refletir no preço das passagens. Em Pernambuco, o Complexo de Suape abriga a Refinaria Abreu e Lima (Rnest), e oscilações do petróleo afetam margens e preços de derivados produzidos ali. No fim da linha, o consumidor paraibano e pernambucano sente o movimento na bomba e no supermercado.
Perspectivas
O rumo dos preços depende quase inteiramente da evolução do conflito e da segurança da navegação no Estreito de Ormuz. Uma nova trégua tenderia a aliviar o Brent; uma interrupção prolongada do tráfego de navios poderia levar o petróleo a patamares ainda mais altos. No Brasil, o mercado acompanha se a Petrobras estenderá reajustes a diesel e gasolina e como o Copom lerá o choque de energia na próxima reunião.
Fontes: Jornal do Comércio e Portal IN (“Petrobras anuncia reajuste de 13,9% para o preço do querosene de aviação”, 01/09/2026).

