Mãe, avó, bisavó e tataravó, ela viu sua história se multiplicar em cada geração que veio depois dela. E mesmo diante das dificuldades que a vida impôs, jamais deixou de buscar a Deus.
Havia um sítio chamado Bica, na Zona Rural de Pedras de Fogo, onde nasceu, há mais de um século, uma menina que se tornaria raiz de uma família inteira. Maria Felismina da Silva viveu 104 anos — tempo suficiente para atravessar gerações, ver netos virarem avós e testemunhar o mundo mudar diante dos seus olhos, sem nunca perder o que tinha de mais essencial: a alegria de receber e a fé que carregava no peito.
Criou sozinha os quatro filhos (Geraldina, João, Genival e Moisés, seu “boy da mangueira”) com o trabalho duro da agricultura e das casas de farinha. Foi na lida da terra que encontrou sustento para a família, e foi ali também, entre a roça e o fogão, que construiu a reputação de mulher forte, das que não recuam diante da vida.
Quem conviveu com ela guarda a mesma lembrança: os abraços apertados, o cheiro que dava carinhosamente em quem chegava perto, o jeito acolhedor de tratar cada visita como se fosse a mais importante do dia. Não era incomum que, ao ver alguém bater à porta, ela logo oferecesse um café — pequeno gesto que, para Maria Felismina, era sinônimo de festa. Gostava de conversa, de companhia, de sentir a casa cheia.
Mãe, avó, bisavó e tataravó, ela viu sua história se multiplicar em cada geração que veio depois dela. E mesmo diante das dificuldades que a vida impôs, jamais deixou de buscar a Deus. A bisneta Maria Laysa lembra bem disso: “Apesar das complicações, ela sempre buscava a Deus e gostava de ir para a igreja.”
Maria Felismina da Silva se despediu deste mundo aos 104 anos, deixando um legado que nenhuma data é capaz de resumir: o de uma mulher que transformou trabalho em dignidade, simplicidade em generosidade, e uma vida inteira em memória viva para quem ficou.
Descanse em paz.



Fotos: Reprodução da família

